métodos

* Um bêbado sob a luz da ciência *

Weizenbaum era um cientista preocupado com a ciência. Preocupava-se principalmente com a crença disseminada de que verdades poderosas só poderiam ser encontradas através de rigorosos métodos científicos. Para ilustrar sua preocupação Weizenbaum criou uma pequena história sobre um bêbado que procurava as chaves que perdeu.

O bêbado, ajoelhado sob um poste de luz, é abordado por um policial. O sujeito explica que está procurando suas chaves, que havia perdido em algum lugar na escuridão. O policial lhe pergunta por que não está procurando lá, e o indivíduo responde que a iluminação era melhor ali debaixo do poste. A ciência se assemelha ao bêbado que busca suas chaves, pois só procura onde suas ferramentas proporcionam a melhor iluminação.

A psicologia experimental sofre com tais críticas. O mundo real, considerado um tanto distante do mundo artificial dos estudos laboratoriais cuidadosamente controlados, está recheado de problemas fora do círculo de luz proporcionado por um poste de iluminação. Como contornar tais problemas? Como descobrir verdades perdidas em meio à escuridão? Ampliar o círculo de luz através de novos métodos seria uma solução? Não tenho o intuito de responder estas questões nesse post, nem de criticar o método cientifico, mas sim suscitar uma reflexão sobre suas limitações, para que não nos esqueçamos das inúmeras verdades escondidas por ai, fora da iluminação.

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O Renan pensa assim. E você? Participe!

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2 pensamentos sobre “* Um bêbado sob a luz da ciência *

  1. As vezes, para que nossas pesquisas pareçam mais claras tendemos a partir de um método para as questões de pesquisa, mesmo quando a intenção não é validar um instrumento, como o bêbado que se mantem sob a restrita luz do poste na história de Weizenbaum. Há um artigo de Reinaldo Furlan, entitulado “A questão do método na psicologia” que é bem elucidativo nesse sentido. Furlan diz que “[…] método são procedimentos que consideramos adequados para responder à nossa questão; não é um a priori da pesquisa, ele faz parte dela.”
    Segue o artigo completo para aqueles que se interessarem:
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722008000100004

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