métodos/sala de aula

Eu sou um pinguim – exercício de observação

Na semana passada falamos sobre métodos de pesquisa, entre os quais se destacam os métodos que utilizam técnicas de observação. São vários: mapeamento comportamental, vestígios ambientais, observação naturalística… enfim.

Para que estes métodos funcionem bem, duas coisas são essenciais: treinar o olhar para realmente ver o que está lá diante de você e treinar a fala para conseguir comunicar o que se vê de forma que o outro te entenda.

Fizemos em sala uma brincadeira para ilustrar o quanto que é difícil fazer essas duas coisas na prática. Entreguei para somente 3 alunos voluntários o desenho de um pinguim estilizado. Este daqui:

Cada um desses alunos tinha a tarefa de orientar os colegas, que estavam sentados de costa, a desenhar o pinguim, sem que eles tivessem visto o desenho e sem dizer que se tratava de um pinguim. Portanto, a fidedignidade do desenho dos alunos ao estímulo original dependeria da habilidade do aluno voluntário em traduzir o desenho para suas formas mais básicas e explicar as relações entre elas. Dependeria também dos alunos que estavam desenhando em seguir à risca as instruções recebidas.

Foram formados 3 grupos e depois de muita bagunça e risada obtivemos os resultados. Vamos a eles:

Grupo A

 

Grupo B

Grupo C

   

Surpreendente, não é?

No debriefing em sala todos os voluntários alegaram utilizar a mesma técnica para falar dos desenhos: por forma, passo a passo. No entanto, os resultados são muito diferentes.

O voluntário do Grupo A foi o mais bem sucedido. Conseguiu repassar para alguns integrantes não só as formas principais que compõem o pinguim, mas também manter de maneira geral suas proporções e as relações entre as peças, com detalhes. Mesmo assim, um dos desenhos não se parece em absoluto com um pinguim – resta saber o que houve alí.

O Grupo B manteve as principais formas, todos os 3 desenhos as contém, mas o relacionamento entre elas ficou menos claro. Interessante pensar em como isso pode ter acontecido. As vezes um comando pouco claro como “em cima do círculo desenhe…” pode ser o suficiente para bagunçar tudo.

Quanto ao Grupo C….
Vamos analisar, porque resultados assim são os mais importantes para ajudar na aprendizagem. O que será que aconteceu aqui? Algumas formas principais estão mantidas, mas nem todas. O direcionamento, a proporção e a relação entre as formas se perderam. Será que o voluntário se ateve somente às formas, mas se esqueceu de explicar o conjunto? Aqui acho que é justo culpar em parte o ambiente também. O Grupo C era um grupo maior num espaço menor e a comunicação entre o voluntário e os que estavam desenhando ficou bastante prejudicada. De qualquer maneira tenho que dizer que esse é meu grupo preferido: eu adoro o cubismo também, sabia? 🙂 Brincadeira, não levem à mal – é que esteticamente esse grupo ficou muito interessante.

Esse exercício ilustra de um jeito bem lúdico como é importante ser detalhista e analítico nas observações e como a linguagem media todo o processo, sendo necessário portanto trabalhar para que entre participantes todos utilizem os mesmos termos, os mesmos padrões.

Espero que vocês tenham gostado. Convido quem participou a deixar um comentário dizendo como foi a experiência do seu ponto de vista.

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2 pensamentos sobre “Eu sou um pinguim – exercício de observação

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