Brasília

* Brasília, um idealizado sonho (quase) impossível *

Brasília foi fundada em 21 de abril de 1960, partindo de um “Plano de Metas” do então presidente Juscelino Kubitschek. A história conta que ainda quando era candidato à presidência, JK estava em um comício em Jataí, cidade do interior de Goiás, quando foi perguntado por um homem de aparência humilde: “O senhor pretende mudar a capital federal para o interior, como está previsto na Constituição?” Ali JK tomou uma decisão que mudaria para sempre o rumo do país.

PlanoVeraCruz1Havia ainda um plano antigo chamado Plano Vera Cruz, que já pensava na nova capital federal, tendo inclusive o desenho pronto.

No dia 30 de Setembro de 1956 foi aberto o concurso para ser escolhido o projeto de arquitetura e urbanismo da nova capital federal. Nos 120 dias que duraram o concurso, foram entregues 41 projetos, sendo que o ganhador do concurso levaria o prêmio de 1 milhão de Cruzeiros.

Falando rapidamente dos principais projetos do concurso, dois muito curiosos ficaram empatados em terceiro lugar. Um deles, projeto liderado pelo arquiteto Maurício Roberto, previa sete grandes bairros geométricos, com 2,4 Km de diâmetro cada. Cada um abrangeria 72 mil pessoas e todos forneceriam todos os tipos de serviço, como se fossem pequenas cidades independentes. O outro terceiro lugar foi o projeto dos mega-edifícios, dos arquitetos Rino Levi e Ricardo Carvalho. Ele propôs uma Brasília sendo composta por dezoito mega-prédios, de 50 andares cada um e que abrangeriam dezesseis mil pessoas cada. O segundo lugar foi o projeto dos arquitetos Boruch Milnam, João Henrique Rocha e Ney Fontes, que previam uma Brasília composta por uma estrutura quadrada simples que abrangeria prédios administrativos, residências comércios etc. O projeto foi rejeitado por ter sido considerado muito simples.

0,,40176801,00O vencedor foi o famoso Plano Piloto, de Lúcio Costa. Ao contrário de muitos dos seus colegas e rivais no concurso, que utilizaram apresentações de arquitetura muito elaboradas, Lúcio Costa apresentou seus desenhos feitos à mão. Quando perguntado sobre a sua ideia, o arquiteto responde: “Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz”.

Algumas das ideias originais de Lúcio Costa acabaram sendo modificadas com o tempo, como a localização do Zoológico de do Jardim Botânico e a dinâmica do chamado Centro de Diversões, descrito por ele no item 10 do relatório de apresentação do projeto original.

Brasília demorou mil dias para ser construída e a partir de 1960, iniciou-se a transferência dos principais órgãos federais para a nova capital.

É impossível falar de Brasília e não falar também de Oscar Niemeyer. Algumas fontes dizem que Niemeyer trabalhou no escritório de Lúcio Costa e, com o decorrer dos anos, ficou conhecido e foi escolhido como arquiteto dos principais pontos da cidade. Antes de projetar os pontos de Brasília, Niemeyer já havia participado de projetos grandiosos e aclamados pela crítica, como o Conjunto Arquitetônico da Pampulha (projeto que lhe deu reconhecimento de JK) e a Sede das Nações Unidas.

É interessante notar o idealismo presente nos projetos tanto de Lúcio Costa como de Niemeyer. Primeiramente, a cidade partia de ideias socialistas, onde todas as moradias pertenceriam ao governo e seriam utilizadas pelos funcionários públicos. Juscelino Kubitschek reuniu um grupo de profissionais com esta mesma tendência política e buscavam construir uma cidade que eliminaria as classes sociais. Por esse motivo o escritor francês André Malraux chamou Brasília de Cidade da Esperança.

Deixando de lado as ideias políticas e as mais variadas preferências, talvez Brasília seja mesmo a Cidade da Esperança, por ter nascido de um plano que tinha tudo para dar errado, por seu projeto ter sido entregue ás 18 horas do último dia de concurso e por ter sido construída no “meio do nada”.

Para finalizar, cabem duas frases célebres que refletem bem todo o sentimento que se faz em Brasília:

“A impressão que tenho é a de estar chegando num planeta diferente”. Iuri Gagarin, astronauta russo, primeiro homem a viajar ao espaço. Disse esta célebre frase ao chegar em Brasília.

“ (…) quem for a Brasília, pode gostar ou não dos palácios, mas não pode dizer que viu antes coisa parecida (…)” Oscar Niemeyer.

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O Tiago pensa assim. E você? Participe!

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