Brasília

* A cidade da reflexão *

Brasília se diferencia da maioria das outras cidades por ter sido planejada; fato de fundamental importância para o subsequente desenvolvimento da região, como bem sabia Lúcio Costa, já que o desenvolvimento se dará a partir da estrutura inaugural da cidade. O engraçado é que, sobre um olhar particular, vejo que Lúcio Costa teve duas ideias centrais em seu projeto; o de um eixo monumental com diferentes pólos: praça dos três poderes, esplanada dos ministérios, rodoviária, centro de diversões, centro esportivo, jardins botânico e zoológico, e a praça municipal. Assim como as asas residenciais, que separa os espaços dedicados aos pedestres, interior das quadras, das avenidas sem cruzamentos dedicadas aos carros.

O eixo monumental realmente foi concebido e faz jus ao nome, mas o centro de diversões que era para ser uma mistura de Piccadilly Cyrcus (Londres), Times Square (Nova York) e Champs Elysées (Paris), com ópera, teatro, cafés, cinemas e derivados, com plataformas vazadas de lado à lado e ponta à ponta; ou os jardins zoológico e botânico, que seriam os pulmões da cidade, foram radicalmente alterados. O objetivo de Lúcio Costa com isso era de criar um centro da cidade, ou no caso específico, uma zona central de diversão e interação social, algo que faz falta à capital nos dias atuais.

Em relação aos setores residenciais o desfecho foi mais feliz. As avenidas sem cruzamentos por todo o plano piloto fazem com que Brasília seja uma cidade prática e de fácil controle administrativo, qualidades mais que válidas para uma capital. Enquanto as super quadras, que possuem uma arborização privilegiada, se tornaram um ambiente bucólico propício para o desenvolvimento humano e individual de cada ser.

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O João Paulo pensa assim. E você? Participe!

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3 pensamentos sobre “* A cidade da reflexão *

  1. As avenidas largas fazem com que Brasília seja uma cidade de fácil controle administrativo, mas não fácil de se locomover. Se você quiser ir um pouco mais longe, é preciso pegar ônibus (e todo mundo sabe que o governo do DF falha no que diz respeito ao transporte público) ou ir de carro. Brasília é uma cidade cheia de carros dirigidos por uma pessoa só, e de pessoas que passam 40 minutos na parada esperando um ônibus; por que não tem o espaço das calçadas e da mistura dos comércios com as residências que vemos em outras cidades e que propicia o encontro entre as pessoas, o tal do encontro fortuito. Acho que isso tem muito haver com fato de dizerem que as pessoas de Brasília são frias.
    Por outro lado, como uma pessoa que nasceu em Brasília e viveu aqui a vida inteira, posso dizer que eu não consigo imaginar como seria viver em um lugar sem árvores, sem ouvir o som dos passarinhos e, mesmo que isso não tenha haver com os arquitetos e urbanistas que a planejaram, sem esse céu maravilhoso daqui,

    • Uma das principais críticas à Brasília que costumo ouvir de amigos que não são daqui diz respeito à sua dinâmica de funcionamento. Eles dizem que é difícil se movimentar pela cidade, que tudo é longe e que parece que tudo foi projetado para ir de carro, e não a pé. Os vazios propositais pela capital – de apropriação social – podem gerar uma sensação de bem-estar e conforto, pelo contato com o lado do “muito verde” de Brasília. No entanto, quanto à funcionalidade, acabam por ter como efeito colateral uma percepção espacial de distanciamento em relação a todos os lugares de interesse. Imagino que em parte por conta dessa percepção, somada ao alto PIB per capta (que permite que comprem mais automóveis), os brasilienses fazem tudo de carro. Já ouvi piadas a respeito, como “o brasiliense sai de carro até pra passear com o cachorro”. Não é raro observar nos horários de pico que muitos dos carros no congestionamento tem somente o motorista ou, no máximo, o motorista e mais um passageiro. Também não é raro que famílias tenham um carro por pessoa. A questão é um problema crescente, uma vez que a cidade foi projetada não só para uma população menor, mas também suas vias para bem menos veículos. Embora algumas vias sejam largas, outras como as das áreas residenciais muitas vezes ficam saturadas. Mesmo os eixos principais, o Eixão e o Eixo Monumental, ficam congestionados em horários específicos, como no final da tarde e início da noite.

  2. Também concordo com essa questão de acessibilidade. Em minha casa, dividimos dois carros para três pessoas, e mesmo assim falta! É muito difícil conseguir se locomover a pé sem passar por obstáculos dos mais diversos: calçadas que acabam sem mais nem menos, tesourinhas (quem vai até a metade da comercial para atravessar na faixa de pedestres?), passarelas perigosas, ruas com fluxo altíssimo de carros, muitas vezes em alta velocidade (Eixão, L4, entre outras)…
    A despeito disso, é uma cidade que tem como pilares o pragmatismo e a organização. Pobre de quem não tem o luxo de conviver com áreas verdes e com o silêncio das quadras residenciais. E de quem não conhece hábitos como o respeito à faixa de pedestres. E, principalmente, de quem acha que Brasília pode ser reduzida a políticos corruptos e “ruas sem esquina”.

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