ambientes naturais e espaços públicos

* Museu Nacional: Criando espaço, deixando espaço *

Projeto de Oscar Niemeyer, Museu Nacional da República está localizado na Esplanada dos Ministérios, ou seja, no centro da cidade.

O Museu possui formato de uma cúpula e totalmente branco. Sua praça segue a mesma simplicidade formal, constituindo-se apenas de piso em placas de concreto, três espelhos d’água e três bancos de concreto espalhados em mais de 30.000m².

Pessoas buscando a sombra no museu

Pessoas buscando a sombra no museu

Dentre os principais problemas do local estão a falta de coberturas/proteções solares que, aliada à coloração clara predominante do piso e do Museu, além de gerar desconforto térmico causa ofuscamento, principalmente no período da tarde. A falta de um espaço bem delimitado com mobiliário urbano, paisagismo ou qualquer elemento que caracterize uma praça aumenta a sensação de vazio do local. Como na maior parte da praça não há nada mais que o piso de concreto, ele se torna um local sem atrativos e altamente desconfortável para passeio. Em resumo, a praça não é acolhedora, não possui atrativos e é desconfortável na maior parte do dia.

Ainda assim, essa praça se tornou um dos grandes pontos de encontro de diversos grupos da cidade. Após a ideia de se aproveitar do branco de suas fachadas para uma projeção mapeada, cada vez mais usos são descobertos para esse grande vazio no centro da cidade.

Projeção mapeada em homenagem à Copa do Mundo

Projeção mapeada em homenagem à Copa do Mundo

Inúmeros shows e eventos ocorrem no lugar, seja pela utilização de estruturas temporárias, painéis de exposição, ou simplesmente utilizando o local para apresentações e ensaios.

Um dos eventos realizados mensalmente no local é a Jam do Museu. Iniciativa de um grupo de dançarinos, nada mais é do que um encontro gratuito de dançarinos de várias modalidades, que se reúnem para dançar ao som de Djs que se disponibilizam para tocar com seus próprios equipamentos.

Jam do Museu

Jam do Museu

Hoje em dia, é possível encontrar facilmente nos finais de semana patinadores, skatistas, dançarinos, fotógrafos e pessoas jogando bola nesse espaço que supostamente não possui nenhum atrativo.

O que será que acontece então para as pessoas frequentarem esse local, mesmo ele não possuindo uma série de fatores não atrativos?

Eu suponho que a razão seja um conjunto de fatores, dentre os quais se pode destacar: a localização privilegiada, a essência cultural do próprio local, a iniciativa de grupos de pessoas que estão cada vez mais percebendo os potenciais dos espaços da cidade e, principalmente, o próprio vazio do lugar.

É como se a existência do vazio, ou a ausência de algo, incitasse em nós a necessidade de preencher. Do mesmo modo que uma criança sente vontade de desenhar em um papel em branco, um grafiteiro sente a necessidade de fazer sua arte em uma parede sem nada, ou uma pessoa comum sente a necessidade de comprar enfeites para decorar sua grande sala, parece que nós temos a necessidade de deixar a nossa marca onde aparentemente não há a marca de ninguém.

Em resumo, ao pensar em espaços públicos, ou qualquer espaço que será utilizado por outras pessoas, até que ponto devemos determinar seus caminhos, seus usos, sua aparência? Até que ponto não seria positivo deixar vazios ou “ambiguidades”, para o próprio usuário “customizar” seu espaço?

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O Kenji pensa assim. E você? Participe!

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2 pensamentos sobre “* Museu Nacional: Criando espaço, deixando espaço *

  1. Considero a exploração do espaço da praça do Museu Nacional algo extremamente positivo. Os espaços públicos existem justamente para que a população os desfrute, o que eu acho que é o que dá vida a uma cidade. Uma das reclamações sobre Brasília é a falta de opções de lazer e uma utilização maior de espaços públicos para esse fim supriria em parte, essa demanda. O fato da praça ter se tornado um point da cidade, mesmo com vários fatores que a tornariam justamente o contrário, considero algo muito admirável.

  2. Um conceito ineressante utilizado pra falar sobre esse tipo de ocupação do espaço urbano que acontece no Museu Nacional é o de “comunidades relâmpago”. Esse uso é proposto por Zeca Ligiéro para caracterizar “manifestações culturais e artísticas que acontecem transformando o espaço urbano como algo vivo e vibrante. Procura relacionar os aparatos das manifestações políticas com as artísticas como um processo de retro-alimentação.” Vale lembrar, além das manifestações artísticas citadas no post, da Marcha Contra a Corrupção e outros movimentos políticos que usam a praça do Museu como ponto de concentração de manifestantes.

    Aí vai o artigo no qual o conceito é proposto:
    http://www.raf.ifac.ufop.br/pdf/artefilosofia_12/(6)%20dossie_zeca.pdf

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