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* Planejamento de Trânsito *

Com a grande velocidade da transmissão de informações propiciada pela tecnologia, uma frase que representa bem o ritmo de vida de nosso cotidiano é “tempo é dinheiro”.  A exigência advinda da modernidade de maximizar a produção e diminuir ao máximo a “perda de tempo” fez com que diversos aspectos da vida das pessoas se alterassem drasticamente. No ambiente urbano, as pessoas distanciaram-se, o stress aumentou e muitas vezes a qualidade de vida diminuiu. Nesse contexto, o ritmo de vida acelerado também influenciou consideravelmente a maneira como as pessoas se locomovem.

traffic-jam

Excetuando-se comunidades isoladas, grande parte do mundo globalizado tem o seu foco principal de tipo de transportes planejado por seus governantes. As questões de planejamento em longo prazo referentes aos transportes de um país consistem em decisões políticas amplas e de caráter histórico. Dada a tendência de um ritmo mais acelerado, uma parcela considerável do mundo favoreceu a utilização de automóveis, inclusive a maior potência econômica (EUA). Com ruas e avenidas disponíveis e o egocentrismo de nossa sociedade, o número de carros foi crescendo descontroladamente. Como a saturação do tráfego se dá por uma curva exponencial, muitas vezes quando se nota o problema, ele já é grande demais para que seja facilmente solucionado.

A solução é possível, mas atravessa questões culturais. Não que partamos da premissa ingênua de que países que encontraram meios para minimizar o problema sempre tiveram a prática atual. A Holanda, talvez seja o melhor exemplo. Com extenso uso de bicicletas no transporte e amplas ciclovias, a associação Holanda-bicicletas é tão consolidada é surpreendente que a prática só tenha se intensificado de fato há menos de 50 anos. Na década de 1970, a grande quantidade de carros se tornava um problema nos Países Baixos. Um somatório de três fatores fez com que fosse feito um planejamento para mudar o foco dos transportes para as bicicletas. A principal motivação política talvez tenha sido a crise do petróleo que encarecia muito os combustíveis. Outro fator importante foi a grande mortalidade de crianças em acidentes de trânsito. Somado a isso, as seculares cidades não tinham lugar suficiente para estacionar a quantidade de carros.

1913-Amsterdam-Bike-Parking

Com conscientização da população e planejamento e execução bem feitos pelos governantes, os holandeses atingiram notável sucesso. A principal questão cultural envolvida seria na verdade o comprometimento e a mobilização da população para que ocorresse essa mudança na configuração dos transportes do país. Assim, penso eu que no Brasil a dificuldade para que a mudança fosse possível – diminuindo a poluição e os congestionamentos – está justamente na inabilidade do governo, aliada ao pouco engajamento da população como um todo. Isso fica evidente até mesmo na capital Brasília, uma cidade planejada. As obras das ciclovias no Plano Piloto foram mal estruturadas (com a ciclovia passando por uma parada de ônibus ao invés de contorna-la) e executadas (sendo preciso, por exemplo, destruir calçadas novas para sua passagem).

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O Daniel pensa assim. E você? Participe!

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3 pensamentos sobre “* Planejamento de Trânsito *

  1. A questão do planejamento de trânsito no Brasil ainda é pouco trabalhada, tendo o assunto alvo de uma preocupação maior com a chegada de eventos internacionais como a Olimpíada e a Copa do Mundo, mas ainda com pouca mobilização por parte do governo e da população excessivamente apegada a cultura do carro.
    Falando em nossa cidade Brasília, que um dia já teve um trânsito tranquilo, hoje sofre com um problema comum das grandes metrópoles: a superpopulação de carros. Parte do problema é devido a cultura do carro que torna o carro além de um mero veículo de locomoção, mas um objeto de status e poder. Outro fator importante é o deficiente sistema de transporte brasiliense que falta abrangência e qualidade e o incentivo do governo para se adquirir um carro novo, um exemplo claro disso são as constantes prorrogações da redução do IPI. O vídeo abaixo mostra a gravidade da situação em Brasília na qual a frota de carros cresce mais rápido que a sua população, mostrando a urgência de um planejamento melhor do trânsito.

  2. Acho interessante essa questão da bicicleta. Recentemente, as pessoas tem tomado a consciência da importância desse meio de transporte. É sustentável, saudável e econômico. Várias manifestações e trabalhos de conscientização começaram a ser feitos. Um exemplo é o vídeo abaixo, que, inspirado no poema “Não te amo mais”, de Clarice Lispector, relata essa volta para a biclicleta como meio de transporte

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